Previsão do Tempo

Um dia ler Caeiro me fez bem. Me fez esquecer que doía, que eu deveria me importar. Me fez ver que o que eu tinha ou não tinha era irrelevante, a primavera floriria no mesmo dia, todo ano, sobre meu túmulo. E assim, durante alguns anos, nem sempre com Caeiro, fui nessa direção.

Nessa trilha fui me despindo dos valores do mundo, das aparências, dos julgamentos, do dinheiro… E quando me vi no topo, valorizando o pleno amor e valores, interior e não exterior, o mundo girou, o vento ventou, me derrubou e amadureci mais um pouco.

Pensando nisso não posso deixar de pensar em frutas amadurecendo. (E no fato de que não sei onde esse raciocínio vai me levar.)

Frutas maduras sào doces; verdes são azedas. O sol que as queima e matura deve doer tanto quanto dói nos meus ombros ao andar sob o sol do verão ao meio dia. A chuva deve gelar até a pontinha da folha, mas limpa e alimenta. Quanto mais buracos de bichos, quanto mais bicada e bichada for a fruta, mais doce é.

Eu queria aprender a ser fruta… mas meus bichos, minha chuva, as ventanias que me amadurecem me fazem amarga. Eu não gosto de amargo.

Talvez seja a hora de trocar de poeta, deixar esse falso Pessoa pra lá. E tentar fazer sol na minha vida de novo.

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