Encontro

Era uma imagem tão cheia de detalhes que encantava, apesar de não ser bonita.

E era mais interessante porque ela se deixava olhar, sentada naquela calçada mal iluminada, um trapinho jogado no canto.

Seus olhos úmidos, embriagados e borrados vagavam perdidos, enquanto seus dedos de esmaltes vermelhos descascados se ocupavam em não deixar calar a caixinha de musica que aninhava no colo. Um par de sapatos de saltos altos jogado por perto, como se fosse ali o chão do quarto, suas roupas em desalinho, meio sujas aqui e acolá.

Tronco encostado no muro, cabeça pendente para um lado, e eu me perguntando se ela pensava ou se só existia, ali, naquele momento.

Não tinha jeito de mulher da vida. Pelo menos não das que se vendiam… Mas não tinha jeito de saber onde estava, como chegar em casa, ou sequer se tinha lugar pra ir. Não pertencia ao mundo material, fada escura, caída na rua, na noite, triste, embriagada por algum motivo que a gente, caminhando por aquela rua, jamais saberia.

Quando seus olhos cruzaram os meus, ela não me viu. E não tinha nada naquele olhar para que eu visse. Econtro vazio.

De manhã ela não estava mais lá.

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