Retrato 171

Vai tentando vender aquilo que não tem. Apropria-se sutilmente do que é alheio, e com lábia e lábios os faz acreditar que o deram de presente, merecidamente.

Merecida mente tem, vale menos de centavo. Não tem moral, nem dó, nem pena, nem dinheiro. A sua beleza é toda forjada, a cara um tanto amassada, a roupa cerzida, outrora rasgada. (Nada digo, se não foi roubada.)

Vai falando do que nem sabe. Apropria-se vorazmente de toda boa idéia alheia,e nos seus lábios as transforma em produto de venda. Faz de  si mesmo mercadórico, soldável, for sale, em promoção. E aceita que paguem barato, mas pede que paguem caro.

E vive, e convive, e evita pensar. Nos olhos fundos e vivos, o vazio existe onde consciência deveria estar. Evita pensar. Sabe que o pensamento afiado corta. E corta-o para que não o corte a vontade, a falsa verdade.

Se é todo perfeito, tão calculado que já a si próprio confunde, poderiam os olhos trair-lhe a maldade? É com a mesma crua frialdade que os fecha, esvazia e nem mais as estrelas lhe conhecem dos motivos a razão…

Não há nele notícia de alguma perdida paixão…

Construído no meio de uma aula chata. 24 de novembro de 2008, 22h40.

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