Aula de História

Que coisa mais engraçada. Muito engraçada. Deparei-me hoje com um sentimento estranho. Estranho, weird, não consegui ainda classificá-lo decentemente. Ele nasceu de uma fala proferida por uma pessoa mais velha, com bastante tempo de caminhada na vida. Falou de alguém muito próximo meu que conquistou algo interessante, como emprego, formatura, já nem sei, não importa.

Disse que “ela está construindo a história dela”. Uau. Que simples. Que normal. Mentira! Não, não pare de ler ainda, achando que enlouqeci, vou explicar o que aconteceu. Anda assim, pensando nossas coisas, dando voltas em uma rodas-gigantes no escuro.

Essa afirmação entrou na minha cabeça de um jeito estranho, enviesado e deu uma passeada pelas ranhuras do meu cérebro (aquelas tão legais em desenhos e tão nojentas em peças reais no laboratório de anatomia),  porque eu nunca havia pensado na vida dessa forma: HISTÒRIA. Cada um vai fazendo a sua, mas a gente não percebe. Não pára pra perceber, vai indo, agindo, fazendo, pensando, realizando. Esquecemos o que aconteceu há dez anos, já nem sabemos quem eram os colegas do ginásio, perdemos na memória o que falamos e ouvimos num conversa há um mês, o que foi que jantamos ontem mesmo?

Mas isso vai constituindo uma história! Gente! Uma história! Até ontem eu sequer pensava que eu faço parte, que eu faço uma, que sou história! Talvez indigna de entrar num livr didático, talvez insignificante, não importa. É como acontece no aprendizado da arte do teatro: vocÊ começa a fazer as coisas inconscientemente. Aí vem o professor e fala das suas mãos, seus pés, seus braços, e você lentamente toma consciência da existência de cada partinha que forma o conjunto. Torna-se palpável, percebível por você mesmo. E começa a poder se direcionar.

Até ontem eu não sabia que eu estava fazendo a minha história. Até que falem do nosso sorriso não percebemos como sorrimos. E depois que nos chama atenção para nosso sorriso não conseguimos mais sorrir da mesma maneira. Será que com minha históra será assim? 

Não, acho que não. Eu não sabia que fazia história quando tinha pouca idade. E acho que se soubesse não teria errado menos, acertado menos, ou etc, como diz a música lá do acaso…  

Não sei, fico pensando se um dia alguém vai folhear as páginas do livro da história que vou escrevendo. Fico querendo saber quem serão os próximos personagens, qual é o fim da história, se algum dia vai haver um “felizes para sempre”, quem seria o meu vilão? E a trilha sonora? Vai me fazer chorar, provocar borboletas no estômago qando eu pensar em alguém? Vou morrer de culpa, de ódio, de pressa, de medo, de amor? Vou viver num marasmo sem fim?

Melhor, talvez, não saber. Deixar o mistério das próximas páginas me fazer mergulhar madrugada adentro lendo, sem conseguir nem querer largar o livro…

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2 comentários em “Aula de História

  1. “Sua boca é tão pequena, mas seu sorriso se abre tão imenso!” Já me disseram isso! rs E foi aí que percebi!

    Bom… Há uma certa diferença entre fazer história e ser história. Entre ser único e ser povo. Entre viver e existir.

    Você faz suas escolhas!!!

    Abriram as incrições???

    Tá na hora de apagar alguns textos do meu blog! rs

    vamo vamo vamo? rs

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