Sobre cicatrizar

Arde.

Coça.

Incomoda.

Te lembra a cada momento.

Pede dedo na ferida.

 

E então… some!

E vem a gratidão e paz.

 

Não mais é,

Mas nunca se esquece o que foi.

 

 

Agosto frio, dia 17, fim de dia.

Is this it

Like a reflection in the water

That was once an immutable mirror

Today you’re blurred

 

Winds of distance storm from the north

Fussing the image I cherished

And I wonder

 

Were you ever real

Or did I imagine you?

 

Saudade

Saudade de mim

Do que eu fui, do que eu era

Do que eu nem lembro mais

Das coisas que eu sentia
Das coisas que escrevia

Do colorido que tinha

Do espaço que sempre faltava o lápis cinza

Saudade da leveza da vida

sept.21.2014 – 2h00am – Manila

Janela da tela

Te olho de longe
Quetinha aqui da minha tela
Te admiro, te observo, Te estudo:
Na foto, na opinião, no jeito
Imagino tuas palavras
Tiro elas da tua boca (as vezes com a língua)
Imagino qual teu cheiro
Construo tua opinião na nossa conversa
Ao som da tua música preferida (e são tantas!)
Enrolo teus cabelos nos meus dedos
Deito no teu peito e adormeço
Tão adormecida quanto essas vontades
Que as vezes eu tenho de você.

Inho

Pia alto, pássaro de penugem cinzenta e sem graça. Pia, grita, atrai olhares, se faz garboso. Pobre passarinhozinho, cheio de ar e pena e cor comuns e pia. Pia cheio, pia esperto, porque sabe que nada mais tem a oferecer que sua vozinha esganiçada. E até convence uma ou outra bela ave de voz macia e sonora e penas ricas a calar-se para ouvi-lo pipilar. Pobre ordinário passarito, se um dia sua voz se acaba, acaba-se todo inteiro junto.

Primavida

Desejei um dia que a vida fosse simples

Que fosse tranquila, que fosse manhã clara

Que me acariaciasse a brisa leve e me beijasse o sol gentil

Me rodeassem as plantas e filhotes

E a noite tivesse lua cheia e dourada das noites sem medos.

Desejei a primavera

Rejeitei o inverno e o verão

Mas me esqueci que o outono também existe

Que as folhas podem secar e cair

Que o meio-tom também toma o verde

Esqueci que a terra gira

Que meu coração bate

E como folha seca, caí.

folha seca

Flor de Maio

E o que me acalma e me consola é saber que o mês não acaba sem que a minha janela se enfeite com a flor de Maio. Mesmo que tarde, mesmo que desbote, mesmo que mingue, mesmo que encha, mesmo que exploda em cor de rosa ou branco. De um jeito ou de outro ela vai estar lá, como sempre, sempre esteve.