Mergulhada no silêncio clichê de uma tarde ensolarada e fria, pensa sem saber no que pensar. Olha para a tela, olha pela janela…. Sente o frio na pele, sente a brisa nos cabelos, sente as borboletas no estômago.
Não sabe o que sente nas profundezas, sabe apenas o que os cinco básicos a contam. Sabe apenas que quer deixar de usá-los, deixar de ouvi-los. Deixar o sexto, este confuso, também para trás. Deixar de pensar, deixar de sentir. Apagar a luz. Fechar os olhos e dormir, descansar, acordar nova e sem conflitos.
Mas a paisagem é tão convidativa, olhando da janela… Ela não consegue, mesmo que tente, fechar os olhos. Respira o aroma do mato. Das flores que apodrecem, adocicadas. Respira o cheiro azul do céu gelado de junho. E tenta não pensar. E não fecha os olhos. E sente-se atraída pela paisagem, mas não quer pular a janela. Seria estragar tudo pisar a grama?
É só esperar a noite chegar, a lua aumentar, as estrelas piscarem. E já será a hora de dormir novamente. E ter, eternamente, paciência.