Se eu pudesse,
Eu batia em Pandora,
Pra ela deixar de ser
Mimada, egoísta e curiosa.
Se eu pudesse,
Eu batia em Pandora,
Pra ela deixar de ser
Mimada, egoísta e curiosa.
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E fechava os olhos
Mas os sorrisos continuavam lá, estampados nas pálpebras, perturbando
E aumentava o volume
Mas a risada ainda ecoava sonora, gostosa, nos seus ouvidos
E corria pra bem longe
Mas a presença, as mãos, os carinhos vinham todos juntos na bagagem
E lia, assistia, fugia, tentava não pensar
Pensar em tudo o que não podia.
Mas a diabólica idéia sempre e sempre insistia…
Tinha sempre uma constante caixinha do que não sabia…
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E o sentimento mais incômodo
Vem não se sabe de onde.
Vem, não te conta o por quê.
Vem sem destino, sem leme
E sem âncora, sem vela, remo, destino
Motivo, soluço, sem tradução, sem traço.
E se instala. E incomoda.
É esse.
Até que passa.
IBM, sexat-feira, deprê, vinte e dois de janeiro de dois mil e dez.
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COMPATIBILIDADE
Seus lábios junto aos meus,
minhas mãos em sua cintura.
Muito sabio foi Deus,
que nos fez da mesma altura.
Por Danilo Lattaro, em 30 de dezembro de 2009, na praia, bem longe.
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REGINA MENINA QUERIDA
Canetas unidas,
Vinte dedos, duas cabeças
Trabalhando juntos pra agradar a Regina!
Regina menina,
Regina rainha.
Brotinho maroto,
Jeitinho exclusivo
E sorriso no rosto.
Tão difícil, porém
Falar ao léu de um alguém
A quem se quer tão bem.
Tentamos, então, samba, crônica e romance.
Notícia, conto, ou qualquer outro lance;
Mas só uma brilhante poesia satisfaria.
E brilhante não pelos verbertes inglórios,
Sim pelo objeto:
A doce menina que derrama luz dos olhos
Que derrama doce no andar
Gosta de bossa nova
E sonha com o altar.
Nossa, enfim, danada,
Mimada, querida e levada.. poetinha!
Ciotto e Contieri em ocasião do aniversário de Frontelli. Poesia não entregue a tempo.
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Engraçado parecer ser fácil
Esse treco de fazer poesia
Problema é quando somem as idéias
E o tal poema não vira…
Ouço falar da sua metalinguagem
Aprendendo a estudar essa coisa toda
E morro de sono nessa vã análise inútil
Porque metalinguística só é legal na poesia.
ORA, meta sua linguagem na lata de lixo.
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O jeito forçado de abrir passagem
E a pressa impressa nos passos
Não apressavam ou retardavam
A medida do seu passado
Abrir passagem, pote ou porta
Correndo em terra, rua, estrada
Apressava e (não) gostava
Daquela pressa forçada
E tentava, suava, lutava
Naquele só minuto em que parava…
COMO ASSIM?!
NADA!
Mas NADA funcionava!
(Nem nela, coitada!)
Queria, não podia.
Parava, pensava,
Tentava, tentava.
Não sabia o que fazia,
Enquanto tudo realizava.
Mas fazia. Se parasse, morreria.
E morrendo, ainda tentava.
E se se morresse fazendo…
…Sorrir ia.
Por Ciotto e Contieri, ainda no falecido ano de 2008. Ou assim acho.
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Acendeu a luz.
Postou-se diante do espelho, mirou a própria imagem como sempre fazia, ao se olhar por inteiro, sem pressa, sem tentar acertar algum fio de cabelo rebelde. Não sentia que tinha a idade que aparentava. Pensava-se ainda criança, não tinha ainda se acostumado com aquele rosto, aquele par de olhos que encaravam de volta. E começou a passar em revista as histórias que tinha dentro de si. Os personagens que estavam populando sua mente.
Sabia, quase certamente, o fim de cada uma das diferentes histórias que tinham em sua figura um ponto de convergência comum. Deixou-se porem divagar, ir longe. Pensou em todos e todas e cada um. Cruzou informações que ouvira com informações que vivera, traçou paralelos, comparou idéias e ideais, palavras e poesias. E determinou qual seria o provável desfecho de cada enredo em tal determinado tempo e as conseqüências em sua vida. E descobriu que não gostave de nem de metade do que aconteceria. Mas como outrora, com enredos passados, adaptar-se-ia quando os finais se apresentassem. A não ser que uma tomada de decisão do destino ou dos personagens mudasse completamente – ou mesmo sutilmente – o rumo dos destinos que determinara.
E descobriu algo novo, pela segunda vez naquela noite: que preferia não saber. Que preferia deixar ao tempo soberano e aos personagens, a seu devido momento, que escrevessem cada história. Seria mais saudável, antes que começasse a agir conforme o que tinha dentro de sua mente e não conforme a vida realmente deveria ser. E então decidiu que pensaria, sim, muitas vezes, em muitos desfechos diferentes, agradáveis e desagradáveis, mas que deixaria o caminho surpreender, se e quando ele quisesse, não importando as conseqüências que viessem. Até porque, sempre fora mais fácil lidar com as conseqüências dos atos e decisões alheias do que com os seus próprios…
Então examinou novamente aquela face, que já não lhe parecia tão velha e nem tão madura. Que com um sorriso nos olhos chegava mais perto de sua auto-imagem. E lavou o rosto. E escovou os dentes. E olhou mais um pouco. E pensou naquele personagem que eventualmente esquecera, delineou o final daquela história praquela noite. Decidiu que na noite seguinte pensaria num final mais interessante, dormir tornava-se necessário para que pudesse continuar a se reconhecer sem sombras azuis sob os olhos.
Apagou a luz.
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