As vezes eu…
E entào eu acho que decidi.
Mas…
E des-decido: não.
No entanto, em ocasioes várias, …
E depois disso,
… um pouco mais.
E mesmo se …
Ainda tento.
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Ela é tal qual
Aquele belo carrossel.
Toma lugar do eixo central
E tem em volta pôneis de papel.
Nada do que faz é por mal,
Só nào consegue escolher seu céu.
Cavalos rodam em volta como naus
Mas não alcançam dela o mel
E para ela, rodar sozinha é normal,
Ela não consegue gostar da idéia do véu
E é, sem querer, amorticida em potencial.
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Tentando fazer certo
Tentando fazer poesia
Tentando, o coração aberto
Me cansei de ser vazia
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Descobri porque não gosto de tomá-las. Optar por um só significar deixar todo o resto de lado. E alguns desses “de lado” viram “pra trás” e tem coisas de que gosto tanto, que não queria deixar ficar pelo caminho.
Mas e não é a vida um jogo de renúncias e eleiçoes….?
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Como vai ser o meu futuro? Não sei. E eu sou bem do tipo de pessoa que odeia não saber das coisas. Odeio não saber que resposta dar quando me fazem uma pergunta. Odeio não saber das coisas. Mas tendo a gostar de surpresas. Mas não sei se gosto de mudanças assim muito radicais. E como me incomoda, esse futuro que não sei. Me incomoda tanto quanto não achar uma posição boa para escrever, ou assistir um flme numa sala lotada de gente barulhenta, um filme muito bom, que eu tenha muita vontade de assistir.
As vezes paro e penso que o tempo tem passado rápido demais. Tão rápido, que me sinto uma velha encarquilhada. Mas então penso no tanto que ainda quero que aconteça, no tanto de coisas que quero viver, e fico com medo que nunca passe o tempo. Ou pior, que o tempo passe e as coisas não aconteçam.
É difícil esse negócio de ser cada um muito responsável por suas próprias escolhas. Aceitar isso é declamar ao mundo que tudo o que não der certo na minha vida é culpa minha. E por acaso é culpa da minha tia avó que passou ou últimos setenta anos presa à uma cama o fato dela ter tido meningite quando criança? E é culpa minha quando alguém termina um relacionamento comigo? E é culpa minha quando eu simplesmente não sei o que quero?
Eu tenho, e espero que não seja a única no mundo, medo de falhar. De não ter aquele emprego legal que esperam (ou espero?) pra mim. Ou aquela família bonita, o marido que nunca vai me deixar. E então vão me dizer: “é, foi você que escolheu terminar com aquele rapaz, foi você que escolheu sair do seu emprego”.
Pode ser que eu esteja querendo me isentar, ou talvez apenas amenizar certas responsabilidades. Mas temo pelo meu futuro. Temo perder a bagunça e “os melhores anos de minha vida”. Mas temo que a bagunça me leve a lugar nenhum. Tenho medo de escolher e ficar sem o que poderia ser. Tenho medo de preferir pagar pra ver e perder o melhor do único.
E como vai ser o meu futuro? Como vai ser a próxima hora? Como vai ser o meu relacionamento com ela, com ele, com eles, conosco, comigo? Vou ficar uma gorda deprimida que fica ofegante ao subir uma escada? Serei uma velha sem noção que quer parecer ter a idade das filhas? Será que o fato de pensar nisso tudo é um indicativo que estou a salvo dos ridículos? Será que morrerei jovem? Será que vou passar no exame? Será que ele pensa em mim?
Será, tantos serás. E dizem que eu deixe de pensar e deixe a vida fluir. Mas não é por que penso nela que a vida deixa de seguir seu curso. A vida precisa também ser cuidada, pensada, pesada. Ela precisa, tanto quanto eu agora preciso de colo. Porque pensar nessas coisas, amigo, é algo que me deprime. E quando estou deprimida e com medo, nada melhor que um colo para me esconder.
Será que vou ter sempre um colo?…
Barão Geraldo, quinta-feira, 24 de setembro de 2009. O dia do fechamento, doTUSCA, da fuga da aula e do bar, do bode da amiga, do meu imenso desprazer com as coisas.
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MALDITA POLÍTICA
Minha Medida Provisória de hoje
Vai ser Muito Previsível,
Mediamente Patética,
Apesar de Muito Pensada.
Metade Periódica de dois anos,
Mais Partes que se adicionem durará.
Disporá de toda a Matéria-Prima
Que precise. Martelo, Pá, Marinheiro, Pala.
Mulheres Poderosas podem ser inclusas,
Meninos Pueris a obedeçam
E Melhor População seremos todos.
Maioria Plenária dos políticos
Menor Prazer não terão ao votar.
Muito Prática, eleição unânime
E Minha Prole, provisoriamente cotada,
Minuciosamente Parcelada,
Com Mato, Prédio, Milho e Pão,
E Mar e Praia e Mano e Peão
Está Muito Para sempre instalada.
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Luzidia luz vadia
Lampião mal refletia
E a pequena se olhava na vidraça suja
Suja, suja, suja
Com cigarras lá fora
As folhas vagais
Descansando à luz da lua
E nem a lua, luna sua
Não mais a consolava
Sabia que tinha perdido
Sabia que estava acabada!
Mas não lhe sobrara sequer rancor
Nem atitude, amor, dor.
Ainda tinha vida
E a rubra cor da vida
Lhe chamava
A rubra cor da pele
Lhe pedia
Pedia, pedia, pedia
E menina fugia
Recusava-se a ouvir tal chamado
Recusava-se o destino das ruas
Recusava o reflexo da lua
Recusava-se, nua, nua, nua
Nua. Não era de ninguém.
Nua. Não era da vida
Nua a menina era só sua.
Ciotto e Contieri Produções – 2008
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Quando cai a noite na gente
Hipnotizante sono irrestível,
Toda palavra vira barulho,
Qualquer amigo é mosca incômoda.
A cadeira é, então, colchão macio,
A parede, incomparável travesseiro;
Cobertor deixa de ser necessário,
Pensar é ato inexistente.
E a deliciosa escuridão traga-nos para o fundo.
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Poema da mulher Ama(n)da
Unhas vermelhas, roídas, dela.
Longos e negros cabelos de Iracema
Olhos de cigana obliqua e dissimulada
Pele de branca de neve,
Saltitar de Chapeuzinho
Doce inocência de Luiza,
Boca de Stones, musica, cigarro, vinho
Companhia incomparável,
Conversas jogadas ao vento
Roubando pedaços de musas
Sorrisos sinceros a todo momento
Tem na medida a falta de respeito e o rebolado
Contornos de mulher em pele de menina
Deixa quem quer abobalhado,
Toda a literatura e bossa nova em seus adornos
Ciotto e Frontelli no Gtalk, para Contieri. Trinta de Julho, Dois mil e nove.
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