Como vai ser o meu futuro? Não sei. E eu sou bem do tipo de pessoa que odeia não saber das coisas. Odeio não saber que resposta dar quando me fazem uma pergunta. Odeio não saber das coisas. Mas tendo a gostar de surpresas. Mas não sei se gosto de mudanças assim muito radicais. E como me incomoda, esse futuro que não sei. Me incomoda tanto quanto não achar uma posição boa para escrever, ou assistir um flme numa sala lotada de gente barulhenta, um filme muito bom, que eu tenha muita vontade de assistir.
As vezes paro e penso que o tempo tem passado rápido demais. Tão rápido, que me sinto uma velha encarquilhada. Mas então penso no tanto que ainda quero que aconteça, no tanto de coisas que quero viver, e fico com medo que nunca passe o tempo. Ou pior, que o tempo passe e as coisas não aconteçam.
É difícil esse negócio de ser cada um muito responsável por suas próprias escolhas. Aceitar isso é declamar ao mundo que tudo o que não der certo na minha vida é culpa minha. E por acaso é culpa da minha tia avó que passou ou últimos setenta anos presa à uma cama o fato dela ter tido meningite quando criança? E é culpa minha quando alguém termina um relacionamento comigo? E é culpa minha quando eu simplesmente não sei o que quero?
Eu tenho, e espero que não seja a única no mundo, medo de falhar. De não ter aquele emprego legal que esperam (ou espero?) pra mim. Ou aquela família bonita, o marido que nunca vai me deixar. E então vão me dizer: “é, foi você que escolheu terminar com aquele rapaz, foi você que escolheu sair do seu emprego”.
Pode ser que eu esteja querendo me isentar, ou talvez apenas amenizar certas responsabilidades. Mas temo pelo meu futuro. Temo perder a bagunça e “os melhores anos de minha vida”. Mas temo que a bagunça me leve a lugar nenhum. Tenho medo de escolher e ficar sem o que poderia ser. Tenho medo de preferir pagar pra ver e perder o melhor do único.
E como vai ser o meu futuro? Como vai ser a próxima hora? Como vai ser o meu relacionamento com ela, com ele, com eles, conosco, comigo? Vou ficar uma gorda deprimida que fica ofegante ao subir uma escada? Serei uma velha sem noção que quer parecer ter a idade das filhas? Será que o fato de pensar nisso tudo é um indicativo que estou a salvo dos ridículos? Será que morrerei jovem? Será que vou passar no exame? Será que ele pensa em mim?
Será, tantos serás. E dizem que eu deixe de pensar e deixe a vida fluir. Mas não é por que penso nela que a vida deixa de seguir seu curso. A vida precisa também ser cuidada, pensada, pesada. Ela precisa, tanto quanto eu agora preciso de colo. Porque pensar nessas coisas, amigo, é algo que me deprime. E quando estou deprimida e com medo, nada melhor que um colo para me esconder.
Será que vou ter sempre um colo?…
Barão Geraldo, quinta-feira, 24 de setembro de 2009. O dia do fechamento, doTUSCA, da fuga da aula e do bar, do bode da amiga, do meu imenso desprazer com as coisas.